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Apollo Justice: Ace Attorney Trilogy – Análise

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Apollo Justice: Ace Attorney Trilogy – Análise

O sistema judicial japonês é… interessante. 

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Fundamentando-me na página da Wikipedia sobre este assunto, podemos descobrir que as instituições como a polícia, procuradorias governamentais, tribunais e órgãos correcionais, mantêm relações próximas e cooperativas, com os objetivos partilhados de limitar e controlar o crime. 

A partir de 2001, o Japão tem apresentado uma taxa de condenação superior a 99,8%, até mesmo mais elevada do que em regimes autoritários.

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Isto pode ser devido a um sistema que permite aos procuradores escolher ou não se querem seguir para tribunal com um caso, o que faz com que os julgamentos tenham sido descritos por académicos como “cerimónias para confirmar as decisões da procuradoria.”

Pensa assim, Apollo, se fosse um julgamento normal, nem tinhas hipótese

Isto, aliado a uma cultura de interrogações muito focada em obter confissões, em que muitas vezes os arguidos até admitem ter cometido crimes que não cometeram por pressão psicológica ou para proteger as famílias, faz com que um advogado de defesa japonês, para conseguir provar a inocência do seu cliente, quase que tenha que provar quem é que efectivamente cometeu o crime! 

Quase. Obviamente que na vida real, tudo isto tem muita mais nuance, e que nunca seria suposto um advogado de defesa andar a brincar aos detectives para ilibar o seu cliente. 

Nos jogos da série Ace Attorney, no entanto? Yha, saca da tua lupa e do pó de alumínio, que se tu não descobres o verdadeiro criminoso, o teu cliente vai para a prisão. 

Ah, sim. Sumo de uva.
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O primeiro jogo desta série da Capcom saiu em 2001 para o GameBoy Advance, com o Phoenix Wright: Ace Attorney. A mistura de Visual Novel com aventura, em que os jogadores alternam entre investigações e sessões no tribunal, procurando provas e apresentando argumentos para comprovar a inocência dos seus clientes, foi um êxito imediato, e desde então, sequelas e relançamentos têm sido frequentes. 

Hoje, estamos a analisar o Apollo Justice: Ace Attorney Trilogy, uma compilação do 4º ao 6º jogos da série principal, Apollo Justice, Dual Destinies, e Spirit of Justice. O primeiro saiu inicialmente para a Nintendo DS, e os outros dois para a 3DS, pelo que os modelos serão diferentes entre os vários jogos. Não se preocupem que todas as screenshots apresentadas são dos primeiros dois casos do Apollo Justice, pelo que não haverão spoilers! 

Nestes jogos, nós encarnamos os papéis de vários advogados de defesa e os seus respectivos ajudantes sete anos depois do final da trilogia anterior. Ao longo dos jogos, vamos resolvendo casos e conhecendo personagens interessantes. 

E este é o primeiro caso do primeiro jogo.

Cada jogo é dividido em duas partes: a investigação e os julgamentos. Na parte da investigação, temos que procurar pistas, falar com testemunhas, e tentar perceber mais sobre o caso. No julgamento, temos que ouvir os relatos das testemunhas e usar provas para tentar encontrar buracos naquilo que elas disseram. 

Mas vamos ser honestos: aquilo que o jogador vai maioritariamente fazer é ler. Carregar em coisas e ler. Falar com pessoas e ler. Estar no tribunal e ler. A partir do Dual Destinies, o jogo passa também a ter voice acting, embora seja à descrição de cada um se isto é algo bom ou mau. 

Sendo um jogo maioritariamente narrativo, a história central é um ponto importante para disfrutar do jogo, e sendo a segunda trilogia de uma série, será sempre melhor começar pelos jogos iniciais da trilogia Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy. No entanto, esta história começa num ponto novo da série, com um protagonista novo e tão perdido quanto ao enredo como qualquer jogador novato, pelo que podem começar por aqui também. 

Embora possam perder algumas referências aos jogos anteriores…

Em termos técnicos, estes remakes estão muito bem conseguidos. As animações, embora subtis, são dinâmicas, relembrando quase um estilo de pixel art, e mesmo quando depois muda para modelos 3D, continuam com o art style próprio do jogo. O remake também permite imediatamente jogar qualquer capítulo de qualquer jogo, caso o jogador queira apenas reviver um certo momento, e tem um modo de museu com música (a qual é excelente), arte, e vídeos dos vários jogos. 

A narrativa dos vários casos também é sempre divertida e quase absurda, sendo na verdade quase que uma paródia do sistema judicial japonês, com cuecas a ser a solução para um caso, uma testemunha chamada “orly”,  ou piadas já geracionais sobre escadas e escadotes. As personagens são sempre cativantes e vê-los a conversar e a descobrir o caso é sempre interessante e divertido. 

Noooooooooo entaaaaaantoooooo… 

Os ambientes do jogo são mesmo coloridos e bem desenhados

Nem tudo é perfeito. Estes jogos têm o problema de às vezes não serem óbvios naquilo que querem que o jogador faça. Por exemplo, houve um momento em que uma testemunha mencionou um colar que a vítima tinha. Era suposto o jogador neste momento apresentar uma foto que tinha de prova da vítima sem o colar. Problema: havia duas fotos na qual se via o pescoço da vítima. E sempre que um jogador erra, leva uma falta. Ao fim de cinco faltas, o julgamento termina com a nossa vítima a ser declarada culpada. Felizmente, é possível continuar o julgamento a partir do mesmo ponto sem qualquer penalização, pelo que isto não é assim muito mau, mas ainda assim há vários momentos assim mais confusos. 

Para ajudar nisto, tanto o Dual Destinies como o Spirit of Justice têm um modo de ajuda que permite receber hints após falhar uma fase do julgamento várias vezes, e mesmo o Apollo Justice tem um modo de auto-jogo que simplesmente passa à frente a necessidade de desvendar o mistério, pelo que isto não é assim um entrave tão grande. 

E se conseguires ilibar o teu cliente, tens confetti!

Na parte de investigação, existem também momentos em que o jogador fica um pouco perdido, sem saber por onde ir investigar. O jogo não continua enquanto o jogador não fizer trigger ao momento certo ou recolher a prova correcta, e seria útil ter também um sistema de ajuda para encaminhar o jogo na direção certa. 

No entanto, nada disto impede Apollo Justice: Ace Attorney Trilogy de ser uma coletânea de jogos fenomenal. Não só todos os jogos são excelentes, como a trilogia em si está bem criada, com conteúdo extra interessante, possibilidade de escolher qualquer capítulo, e gráficos e sons revamped para uma nova era de jogos. 

TL;DR: Se gostam de séries de TV policiais, visual novels, jogos de aventura, personagens excêntricas, trocadilhos engraçados, ou qualquer combinação destes factores, Apollo Justice: Ace Attorney Trilogy é o vosso jogo. Mas ainda assim, se puderem, comecem pela trilogia inicial. Vale a pena nem que seja para interrogar um papagaio. 

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